Pular para o conteúdo principal

Tratamento de Dependentes químicos no DF! Até quando o Governo vai fingir que faz alguma coisa ?

Acompanho um caso que me deixa atônito com o descaso do Estado quanto ao sofrimento do cidadão. Vou chamar este assistido de Paulo ( nome fictício mas história verdadeira).

Paulo usava crack até oito meses atrás. Autuado por porte ilegal de drogas, foi encaminhado ao Núcleo de Práticas Multidisciplinares do Ministério Público do DF a fim de que fosse escutado e devidamente encaminhado. O caso foi acompanhado por uma estagiária de psicologia que por meio de entrevista motivacional conseguiu encaminhar Paulo para desintoxicação em fazenda terapêutica,( pois o DF não tem nenhuma clínica para desintoxicação e os hospitais não tem estrutura para isso) e acompanhamento em CAPS-AD. O esforço de Paulo era notável, visto que participou assiduamente de todos os encaminhamentos a que foi submetido.Tem conseguido se manter "limpo" .

Mas surgiram impecílios: Na cidade onde ele mora não há CAPS-AD. Isso mesmo, uma cidade com mais de 150 mil habitantes não consegue sensibilizar o Governador do DF a montar um CAPS-AD. Paulo precisava pegar ônibus  quase todos os dias para frequentar o CAPS de Santa Maria a fim de se tratar. Resultado: parou de frequentar o CAPS-AD.

Mas o caso não parou por aí: No CAPS de Santa Maria o atendimento Psiquiátrico é sofrível, dado ao fato de que são muitos os assistidos e pouquíssimos os psiquiatras. O Núcleo, por meio dos estagiários de Direito orientou Paulo a entrar com ação junto ao INSS, tendo em vista que era um Dependente Químico que contribuía com a Previdência Social. Porém a ação prescindia de um laudo psiquiátrico. O Hospital da cidade não tem psiquiatra...isso mesmo...não tem!!! Encaminhei Paulo ao HRAN e mediei seu atendimento junto à psiquiatria. Por fim, o dependente químico precisava se tratar: esse era o relatório da psiquiatra que o atendeu. O INSS concordou e Paulo passou a receber R$200,00 por mês para se sustentar, sustentar quatro filhos e uma esposa. Ele me disse que não tinha como pagar a passagem para o CAPS-AD.

 Encaminhei o caso ao CRAS e ao CREAS. Depois de quatro meses de muita dor de cabeça e desgaste junto aos assistentes sociais daqueles orgãos,  o CRAS conseguiu uma cesta básica e inclusão de Paulo em um cadastro de inclusão social sem data para ser de fato atendido.  O CREAS disse que não tem verba para ajudar este cidadão a se dirigir ao CAPS-AD que só tem em outra cidade. 

Pergunto então: se Paulo voltar para as drogas e for preso, ficará mais barato para o Estado? 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Conflito como elemento inerente ao convívio humano - uma reflexão baseado em experiências

RESUMO: O conflito é algo que antecede a história da humanidade. Não há como destruí-lo sem tirar algo do humano. Em si ele não tem valor negativo. Os conflitos podem ser agrupados levando em consideração seus atributos. Tais atributos nos ajudam a entender melhor a dinâmica do conflito e por conseqüência a dinâmica da solução do conflito. Ao conflito surge a possibilidade de reconstruir uma solução com a cumplicidade dos envolvidos. Envolvido esses que não são chamados nem de réu e nem de vítima, mas de envolvidos. A Justiça restaurativa vem com essa pretensão. Apesar de muito discutido, há como fazer Justiça Restaurativa em conflitos Domésticos. PALAVRAS-CHAVE: Conflito, violência doméstica, Justiça Restaurativa ABSTRACT:
Conflict is something that predates human history. There is no way to destroy it without taking something human. In itself it has no negative value. Conflicts can be grouped taking into account their attributes. These attributes help us to better understand the dynami…

Amor, a força que precisamos...

"Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!"
Tomar decisões, dar conta de perder, suportar as frustrações.  Esses são desafios que enfrentamos diariamente. Até mesmo o ato de acordar consiste na tomada de decisão de continuar a vida, seja ela prazerosa ou não ( e sempre será). Por meio de "autoajuda" e de técnicas sugestivas diversas buscamos dar significado às nossas perdas e frustrações. Achamos que se "(re)significarmos" a vida teremos impulsos para avançar.( Ilusória essa palavra, porque aquilo que tem significado não precisa ser REsignificado e aquilo que não tem significado, ao ser REsignificado apenas restaura o que de fato é).
No entanto, de tao simples, a solução é "hercúlea" . Freud escreveu ao Martha Bernays, em 1882. (Carta de Sigmund Freud a Martha Bernays, 27 de Junho de 1882) que a segurança de ser amado nos torna ousados, fortes.
Atendo em meu consultórios pais e filhos que vivenciam o drama moderno de se sentirem …

A tristeza - nossa amiga

Muitos confundem tristeza com depressão. "Estar bem" passou a ser ter um bom "selfie", a necessidade de se evitar aquilo que se aproxima de uma "cara triste" tornou-se imperiosa. Ninguém quer ficar com alguém de "bode". A busca de um NORMAL nos impele a repelirmos aquilo que os OUTROS acham ANORMAL.

No entanto, a tristeza faz parte das cores de nossas emoções e tem um papel fundamental em nossa dinâmica de vida. Tristeza não é depressão. Apesar de na depressão percebermos que a tristeza sombreia a vida de seus protagonistas, mas de forma inconsistente e desnecessária, a tristeza, quando adequada, tem o papel de nos trazer para dentro de nós mesmos, de nos colocar em contato com a dor da vida, de se viver, de se enfrentar as demandas do dia a dia. A tristeza é a emoção que nos mostra como a vida tem cores e nuances e pode ser modulada, reciclada. A tristeza nos lembra de que temos, como pessoas morais, que fazer escolhas e arcar com suas consequên…