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Londrina, PR, Brazil
Mestre em Psicanálise Clínica,Professor de Psicologia, Psicanalista Clínico, Psicopedagogo , Especializando em Psicologia Jurídica.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Amor, a força que precisamos...

"Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!"

Tomar decisões, dar conta de perder, suportar as frustrações.  Esses são desafios que enfrentamos diariamente. Até mesmo o ato de acordar consiste na tomada de decisão de continuar a vida, seja ela prazerosa ou não ( e sempre será). Por meio de "autoajuda" e de técnicas sugestivas diversas buscamos dar significado às nossas perdas e frustrações. Achamos que se "(re)significarmos" a vida teremos impulsos para avançar.( Ilusória essa palavra, porque aquilo que tem significado não precisa ser REsignificado e aquilo que não tem significado, ao ser REsignificado apenas restaura o que de fato é).

No entanto, de tao simples, a solução é "hercúlea" . Freud escreveu ao Martha Bernays, em 1882. (Carta de Sigmund Freud a Martha Bernays, 27 de Junho de 1882) que a segurança de ser amado nos torna ousados, fortes.

Atendo em meu consultórios pais e filhos que vivenciam o drama moderno de se sentirem perdidos: Filhos que não se dão conta de como podem ser aceitos por seus pais...pais que não conseguem se impor sobre a vontade perversa de seus filhos, pequenos imperadores impiedosos.  

Falta-nos perceber que estamos desaprendendo a expressarmos o que sentimos, e em nome de uma felicidade falaciosa, escondemos nosso grande vazio que tanto nos impulsionaria a viver. Desaprendemos o que é amar, por confundir essa ATITUDE com a EMOÇÃO de bem estar e completude. AMAR não é GOSTAR! Ser amado não é ser "gostado", mas ser DESEJADO. Amar é conferir IDENTIDADE e  LEGITIMIDADE. É dizer a quem se pertence, é deixar claro que  se pode contar.

Você, pai, pode contar com seu filho, mesmo que você erre, que não dê conta do que se espera de você? De ser um "erro"?  Você, filho, pode contar com seu pai e mãe mesmo que você frustre todas as expectativas geradas? Mesmo que "não preste"(palavra forte, mas que expressa a sensação de não ser amado).

Estar seguro de ser amado é estar convicto de que , mesmo não sendo perfeito, mesmo errando ( e errará), seu "status" de AMADO continuará inalterado!

Deixe isso claro para quem você ama! O "MALDIZIDO" não é DITO!


quinta-feira, 30 de junho de 2016

A tristeza - nossa amiga


Muitos confundem tristeza com depressão. "Estar bem" passou a ser ter um bom "selfie", a necessidade de se evitar aquilo que se aproxima de uma "cara triste" tornou-se imperiosa. Ninguém quer ficar com alguém de "bode". A busca de um NORMAL nos impele a repelirmos aquilo que os OUTROS acham ANORMAL.


No entanto, a tristeza faz parte das cores de nossas emoções e tem um papel fundamental em nossa dinâmica de vida. Tristeza não é depressão. Apesar de na depressão percebermos que a tristeza sombreia a vida de seus protagonistas, mas de forma inconsistente e desnecessária, a tristeza, quando adequada, tem o papel de nos trazer para dentro de nós mesmos, de nos colocar em contato com a dor da vida, de se viver, de se enfrentar as demandas do dia a dia. A tristeza é a emoção que nos mostra como a vida tem cores e nuances e pode ser modulada, reciclada. A tristeza nos lembra de que temos, como pessoas morais, que fazer escolhas e arcar com suas consequências; que temos de olhar para frente sem ignorar que fomos construídos por uma história. 

Somos pessoas desejantes,e movidas pelo DESEJO. No entanto nossos desejos poderão ser frustrados - ou não compreendidos (se é que precisam ser). Isso nos impulsionará a fugirmos de nosso mais íntimo anseios, RECALCANDO-OS. Essa negação, por certo provocará uma reação de nossas emoções, que sempre HONESTAS e COERENTES com nossos DESEJOS, lutará para nos alertar sobre nosso sofrimento real, distante daquele ditado pelo MAL-ESTAR da civilização. 

Por isso, quando a tristeza chegar, não fuja dela, mas perceba que como um bom sinalizador,ELA APENAS PEDIU QUE OLHASSE PARA DENTRO DE SI e se perguntasse: COMO VAI SUA VIDA? COMO VAI SUA CRIANÇA DESEJANTE? Não drible a sensação de angustia com fugas e distrações. Mas acolha-a como MENSAGEIRA. Como um entregador, que vem com uma missão, mas nunca com o objetivo de ficar. Infelizmente algumas pessoas acolhem seus mensageiros e não os permite irem embora. E eles não irão, até que entreguem a mensagem!

Então, se a tristeza vier, não se assuste, mas olhe para dentro de si mesmo, imaginando-se uma criança e se pergunte: Do que preciso? O que me falta? E então sacie-se, agradecendo ao mensageiro por tê-lo alertado de que seu desejo se frustrava!







sexta-feira, 5 de abril de 2013

Perdendo o foco ... ou descobrindo o que se esconde?

Todas as vezes que acolho em meu consultório pessoas em desespero, uma atitude comum a todas elas é a confusão. Queixam-se de não conseguir se concentrar, de se esquecer das coisas. Curioso é perceber que os desesperados são pessoas que perderam o foco...esqueceram-se do que de fato querem.

No Filme Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, há um diálogo interessante sobre isso:

“Aonde fica a saída?", Perguntou Alice ao gato que ria.
”Depende”, respondeu o gato.
”De quê?”, replicou Alice;
”Depende de para onde você quer ir...”

Uma pergunta tão simples que fazemos a todo instante, mas que carrega sobre si um peso enorme de nossa condição. ”Depende de para onde você quer ir...” Para o desesperado o sofrimento não é de não ter saída, mas de não saber que saída tomar! Por isso a confusão é percebida em crises. O desespero não é o problema, mas uma reação à sensação de não se saber o que precisa, de estar sem norte. E nessa situação qualquer saída é e ao mesmo tempo não é solução. Ao drogar-se, o jovem pensa que precisa dela para sair de onde está...mas a droga não acrescentará nada...apenas desfocará mais ainda. Ao beber, o alcool apenas anestesiará a percepção, mas a saída ainda estará velada (escondida) e por isso ainda não resolverá o problema. Envolvendo-se em conflitos, agredindo, o confuso não fará nada além de buscar um novo foco...que não será o real e necessário. So poderei enfocar se souber o que procuro.

Como trabalho com Florais, em todo Buquet inicial envolvo uma Flor chamada Clematis objetivando que meu paciente tenha foco, coloque seus problemas em uma hierarquia, evitando o efeito gargalo.
Aquela sensação de "entalamento" onde as coisas parecem ser bem piores do que são de fato.


A perda do foco tem sua explicação psicodinâmica em um mecanismo de defesa, onde por ser compreendido como indigesta, nosso inconsciente nos leva, naquele momento, à evitação da "dor" real. Enfrentá-la doi muito, e por isso, somos desfocados. Surge como saída a fuga, a negação, a projeção, transferência e por aí vai. Por ser um mecanismo de defesa, deveria apenas nos protege na crise e ser abandonado após esta crise a fim de que pudéssemos elaborar o ocorrido. No entanto, em uma estrutura  neurotica, aquilo que nos defenderia acaba por nos sugar e nos viciamos nessa desfocalização como evitação do sofrimento...e ao não sofrermos pelo real, sofremos por tudo em que ele se projeta...e por não podermos mais enxergar o problema real, não conseguimos identificar a saída.

Alguns, sem o foco real, focam um ponto e por meio de um comportamento psicótico, fanatizam-se. Voltamos ao quadro de desespero, onde se antes não tinhamos um foco e como estrábicos olhávamos para um lado observando outro, agora nosso foco imaginado como real ( digo imaginado por que se fosse a real saída não precisaria ser doentia) torna-se único e nosso olhar, daltônico, não nos permite ver nada que não esteja da cor que pintamos.

Enfim, ter em mente o que de fato nos doi sempre será a forma de não sofremos mais do que o necessário. Evitar sofrer quase sempre será a melhor forma de sofrer mais. Isso cabe para qualquer circunstãncia de nossa vida. Pois ao nos percebermos tão complexos, descobrimos nossa simplicidade...e na simplicidade da vida nos percebemos focalizados ( focados) no que de fato queremos.  A saída de nossa confusão existencial está na simples pergunta do gato a Alice: ”...para onde você quer ir...” Faça esse exercício e se pergunte ” para onde você quer ir...” com suas atitudes, com sua tristeza, com sua loucura, com seu desespero. Pergunte ao seu sofrimento psíquico onde ele quer chegar ...e talvez você se assuste com a resposta que normalmente estará tão "clara" que nem acreditará!

Um bom fim de semana para todos, focado naquilo que de fato queremos e precisamos.
Cabe a você descobrir, o que você de fato quer!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Prisão - um poema de uma amiga


Turbilhão de sentimentos
Negros no céu cinzento

Torrente de tristeza
Afogando o viver
Que já não admira a beleza

 Eu-contradição
Mar de emoção
Interior e exterior
Ser dual por imposição

Ressentimento Sufocado
Trancado com cadeado
Devido às consequências
Pés e Mãos atados

Um beco sem saída
Vivendo de aparências
Sangrando a ferida
A boca sorri
Chora o coração
O verdadeiro "eu" prisioneiro
Acorrentado pelas conveniências
Triste viver, triste lamentar...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O Centro de Atenção Psicossocial - Uma saída para o Gama




Sob a ótica da reforma psiquiátrica, a internação de pacientes com problemas mentais deixou de ser uma solução, mas uma exceção. No passado o paciente psiquiátrico em seus quadros mais graves eram reclusos em verdadeiras prisões:
Todos os estabelecimentos criados no país até o final do século XIX, com a finalidade de internar os doentes mentais, ofereciam um tratamento que tinha como objetivo maior "afastá-los da sociedade do que realmente tratá-los e minorar seu sofrimento" (RIBEIRO, 1999, p. 20)
A sociedade não conseguia enxergar o processo de inclusão social dos pacientes psiquiátricos. Seu objetivo era afastá-los do convívio social. As famílias, desesperadas, buscando uma solução e não compreendendo a loucura, perdiam contato com seus entes queridos e de forma "natural" e gradativa se esqueciam de quem as fazia sofrer. Era um processo de desfazimento de vínculo. Os familiares cauterizavam suas emoções, "jogavam" seus parentes nos hospitais psiquiátricos e deles se esqueciam. "O que os olhos não vêem o coração não sente". Essa era a regra. Os asilos psiquiátricos passaram a ser uma forma de se tirar dos olhos o que fazia os "normais" sofrerem.


Infelizmente, a Psiquiatria nessa fase deixava de buscar uma solução, sendo ela mesma a geradora de problemas psiquiatricos. Se para Pinel a reclusão passou a ter uma significação curativa e daí o nome "manicômio", ( mania - loucura e Koumen - Cura) onde se cura o louco, no contexto brasileiro a cura não era possível no depositário humano de pacientes psiquiátricos. Não era, ou não é? Quem se cura em um manicômio hoje? 

Apesar de frustrados os projetos de recuperação dos loucos por meio do internamento nos hospitais-colônia - em face da impossibilidade de inserção social dos seus egressos quando retornavam ao espaço urbano -, a Psiquiatria continuava se fortalecendo por meio da fabricação de sua própria clientela. Apesar de ter surgido para resolver o "problema da doença mental" ela passa a fabricar mais e mais "doentes", demandando pela criação de mais instituições e ampliação das existentes. (COSTA, 2003, p.150)


Em março de 1987 inaugura-se no Brasil uma nova possibilidade: O Centro de Atenção Psicossocial. Isso representou a implementação de um novo modelo de atenção em saúde mental para expressiva fração dos doentes mentais (psicóticos e neuróticos graves) atendidos na rede pública. Um nova fase deveria ser inaugurada, onde os direitos humanos seriam respeitados, onde as famílias não perderiam seus vínculos e poderiam cuidar dos seus com suporte estatal. O estado economizaria, pois não mais custearia os "presídios psiquiátricos" de quem como crime se imputava a loucura. Parece até poesia. Ou é?

Seu objetivo é oferecer atendimento à população, realizar o acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), entre todos os dispositivos de atenção à saúde mental, têm valor estratégico para a Reforma Psiquiátrica Brasileira. Com a criação desses centros, possibilita-se a organização de uma rede substitutiva ao Hospital Psiquiátrico no país. Os CAPS são serviços de saúde municipais, abertos, comunitários que oferecem atendimento diário.(Estes serviços devem ser substitutivos e não complementares ao hospital psiquiátrico. De fato, o CAPS é o núcleo de uma nova clínica, produtora de autonomia, que convida o usuário à responsabilização e ao protagonismo em toda a trajetória do seu tratamento. (Ministério da Saúde - (http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=29797&janela=1) )


É interessante observarmo a avanço na constituição de um Centro como o CAPS, cuja função não é complementar as atividades manicomiais, mas substitui-la, humanizando o tratamento. A função dos CAPS é perceptivamente necessária . Negá-la é ilógico:


- prestar atendimento clínico em regime de atenção diária, evitando as internações em hospitais psiquiátricos;

- acolher e atender as pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, procurando preservar e fortalecer os laços sociais do usuário em seu território;

- promover a inserção social das pessoas com transtornos mentais por meio de ações intersetoriais;

- regular a porta de entrada da rede de assistência em saúde mental na sua área de atuação;

- dar suporte a atenção à saúde mental na rede básica;

- organizar a rede de atenção às pessoas com transtornos mentais nos municípios;

- articular estrategicamente a rede e a política de saúde mental num determinado território

- promover a reinserção social do indivíduo através do acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.


Mas nossos administradores são lógicos? Talvez sua lógica seja a lógica do louco que às avessas vive o sonho e sonha a vida. É incalculável o valor, a necessidade e a viabilidade de um CAPS. Mas não são implementados. Por burrocracia? ops...ato falho: burocracia??? Será que é assim em todo lugar do mundo ou  é especialização brasileira? O engessamento que atrofia! Quem será que inventou isso??

Essa realidade prevista pelo CAPS não existe no Distrito Federal. Isso mesmo: Na ilha da Fantasuia não temos loucos. Temos alguns que pensam que são loucios e por isso são atendidos até serem estabilizados e "drogados" se tornatrem "normais". Loucos? Isso é coisa de psicólogo e psicanalista doido!!! Dá um sossega leão que passa!!!  Depressão??? Isso é frescura!!!  Pânico, fobia, etc??? Tá pensando que está no primeiro mundo!!  Meu Deus, que civilização é essa? Cuja dor do paciente psiquiátrico é des´prezada e cuja carcaça dos "loucos " é pisoteada a cada dia??? Que via sacra têm que enfrentar e não encontram defensores??? Não consigo entender como a Capital do País não leva a sério esta política. Não existe quem faça o Governo agir??? Vejamos o quadro comparativo, ou melhor, a vergonha exposta de um rei nú!!




O DF tem uma população de quase 3 milhões de habitantes e apenas 6 CAPS. Apenas 2 CAPS-AD ( Dependência Química) e está em último lugar no hancking nacional. Não consigo acreditar que as autoridades responsáveis não respondam por isso. Quando encaminho alguém para o Hospital Psiquiátrico num quadro tão caótico que a pessoa não deseja mais viver ou deseja matar, ou em delírio vê cobras, chips, anjos, etc, sei que as encaminho para um calvário...e sei que os "herois" que lá estarão para atende-las, terão que como Sofia, escolher quem atender. Mas como escolher sem ser Deus?? Como dizer a um homem que que enlouqueceu para viver que não há em Brasília atendimento psiquiátrico para os cidadãos que pagam imposto? Apenas se tiverem dinheiro para clínicas particulares?? Como falar para uma mãe que não tem tratamento na Capital do pais para seu filho? E o que ela diria se soubesse que o diagnóstico precoce diminuiria o dano cognitivo?

Uma mãe me procurou e disse que seu filho havia quebrado o nariz em uma coluna, quando em surto batera a cabeça. Falava constantemente em cortar o pênis, pois não servia pra nada e corria atrás de drogas sempre que a mãe ia trabalhar. Pergunte qual a última vez que fora a um psiquiatra: Meu Deus: Nunca!!!

O caso Lúcia que escrevi neste Blog é emblemático pois foi o primeiro caso de psicose que acolhi.Mas tive que enfrentar um médico que disse que não a levaria ao Hospital psiquiátrico porque não era urgente. O que é urgente?

Hoje, 22 de julho, pedi que a Polícia Civil buscasse uma mulher que em surto ameaçava a integridade de seu filho. Por que a Polícia? Por que ontem, quando meu estagiário de Psicologia pediu ao Bombeiro que fizesse isso, informaram a ele que só havia uma viatura e que esta socorria a um acidente de trânsito e por isso vidas estavam em risco. A mulher conseguiu ontem, com seu surto, internar um parente que quase enfartou. E se a polícia não a buscasse hoje, talvez ela, que está vendo cobras e todo lugar, que diz que o Lula a conhece e assim por diante, fizesse mais besteiras. Mas no Gama não tem psiquiatra. Tem um ( Um herói a quem rendo minhas honras). No Gama não tem emergência psiquiátrica e o Delegado teve que fazer papel de psicólogo, orientando a pobre coitada. Com certeza amanhã ela tentará de novo, e de novo, pois faz parte de sua loucura!

No Gama, uma população de mais de 150 mil habitantes, não há atendimento. Pasmem! Não há atendimento para dependente químico que surtam por conta da droga ou em surto se droga ( tanto faz, tudo é psicose e precisa do psiquiatra). Para Pacientes psiquiátricos há uma policlínica com um psiquiatra apenas que heroicamente tenta dar conta do recado. E não dá, pois há mais de 3 mil pacientes psiquiátricos cadastrados.

CAPS não é opção, não é possibilidade. É necessidade, é exigível em qualquer sociedade civilizada em que os direitos humanos tem alguma relevância.

Onde está a dignidade, a liberdade, a igualdade do humano nessa cidade? Neste Distrito? Talvez nas clínicas particulares onde se paga bem para ser atendido. Nos CAPS que existem, talvez! Mas no Gama não tem CAPS... e segundo soube, não terá!! Deus me valha de loucos como este Estado! 

_________
RIBEIRO, Paulo Rennes Marçal. Saúde mental no Brasil. São Paulo: Arte & Ciência, 1999.
COSTA, Augusto César de Farias. Direito, Saúde Mental e Reforma Psiquiátrica. In: Ministério da Saúde, Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Departamento de Gestão da Educação na Saúde; ARANHA, Márcio Iorio (Org.). Direito sanitário e saúde pública. Coletânea de textos. v. I. Brasília: Ministério da Saúde, 2003. p. 143-178.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

As Cinco Atitudes do Amor - tema dos Grupos de Reflexão dos familiares de Dependentes Químicos


O RESGATE DA AUTORIDADE DOS PAIS NA RELAÇÃO COM OS FILHOS.
COMO CRIAR UM CANAL DE AMOROSIDADE COM OS FILHOS E COLOCAR
LIMITES SEM CULPAS, MÁGOAS OU MEDO DE PERDÊ-LOS

“Nada irá mudá-lo senão a visão daquilo que o coração dele deseja mais ardentemente”. (pp.27 - O Poder Restaurador dos Relacionamentos Humanos, Larry Crabb)

ATITUDES


RESGATANDO A AUTORIDADE
DOS  PAIS


1ª ATITUDE
separar o(a) filho(a) de seu comportamento. Amamos nosso(a) filho(a). são
alguns comportamentos dele(a) que não aceitamos. Temos que pensar várias
vezes ao dia: amo meu filho(a), eu não aceito é o comportamento dele(a).



2ª ATITUDE
Sempre que formos falar com nossos filhos para elogiar e/ou corrigir, devemos definir quem é quem nessa relação, e quais suas funções. Sempre temos que começar com as palavras mágicas: Eu sou sua mãe (ou pai), você é meu filho(a)
e amo muito você e gostaria... . Nunca se esqueça que SEMPRE seremos os pais
e eles os filhos, não importa a idade.


3ª ATITUDE
Abraçar os filhos no mínimo três vezes ao dia. Não é um abraço espontâneo;
é um abraço planejado, intencional, estratégico, é o “dever de casa dos pais”.
Sempre que abraçar, mentalizar a ordem: “o seu coração vai ouvir o meu coração”.


4ª ATITUDE
Elogie uma vez ao dia seu filho(a). Aposte no positivo!
Como construir um elogio?
1)    Identifique o que de positivo o filho fez.
2)  Pergunte-se: Qual a qualidade de um filho que faz uma coisa dessas?
3)  O elogio é justamente a qualidade, o adjetivo.
4)  Após elogiar, é de fundamental importância dizer como você se sente: Feliz, contente, orgulhoso, ... com o comportamento dele.
Os elogios por atitudes do passado são sempre bem vindos. É um reconhecimento!


5ª ATITUDE
Use o poder de seus sentimentos e de sua afetividade. Não converse com seu filho cobrando, brigando, usando argumentos racionais. Traga o diálogo para a afetividade, fale na primeira pessoa. Para isso comece sempre o diálogo com a palavra EU!

Grupo de Reflexão - Familiares de Envolvidos em Dependência Química




Os Grupos de Reflexão são reuniões facilitadas por um profissional psicossocial que conduz os participantes sob um tema. Este Grupos não são terapêuticos, mas Operativos. Dessa forma, não se falar em terapia comunitária nesses grupos, mas em discussões temáticas e modificadoras de comportamento. Na promotoria de Justiça do Gama desenvolvemos Grupos de reflexão de Adolescentes em risco ( quintas-feiras), de Familiares de Dependentes Químicos ( primeira terça-feira do mês), de Dependentes Químicos ( última terça-feira do mês), de Homens envolvidos em Violência Doméstica ( segunda terça-feira do mês) e de Mulheres ( terceira terça-feira do mês).

Os Grupos de Reflexão de familiares de Dependentes Químicos tem como base o modelo sistêmico, que considera a família como um sistema, no qual famílias com problemas de dependência química mantém um equilíbrio dinâmico entre o uso de substâncias e o funcionamento familiar. Na perspectiva sistêmica, um dependente químico exerce uma importante função na família, pois esta se organiza de modo a atingir uma homeostase dentro do sistema, mesmo que para isso a dependência química faça parte do seu funcionamento e muitas vezes, a sobriedade pode afetar tal homeostase. O facilitador utiliza varias técnicas para clarificar o núcleo familiar e promover mudanças de padrões e interações familiares.  

Os encontros com os familiares promovem mudanças nos padrões e interações familiares e tem tido um bom resultado em famílias onde o dependente não deseja participar do processo.

Nesses encontros, as famílias são estimuladas a compartilhar a forma como lidam com seus dependentes e a refletirem nas causas da drogadicção. Os familiares são motivados a assumir atitudes do amor e não participarem do jogo do conflito.