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Londrina, PR, Brazil
Mestre em Psicanálise Clínica,Professor de Psicologia, Psicanalista Clínico, Psicopedagogo , Especializando em Psicologia Jurídica.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Perdendo o foco ... ou descobrindo o que se esconde?

Todas as vezes que acolho em meu consultório pessoas em desespero, uma atitude comum a todas elas é a confusão. Queixam-se de não conseguir se concentrar, de se esquecer das coisas. Curioso é perceber que os desesperados são pessoas que perderam o foco...esqueceram-se do que de fato querem.

No Filme Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, há um diálogo interessante sobre isso:

“Aonde fica a saída?", Perguntou Alice ao gato que ria.
”Depende”, respondeu o gato.
”De quê?”, replicou Alice;
”Depende de para onde você quer ir...”

Uma pergunta tão simples que fazemos a todo instante, mas que carrega sobre si um peso enorme de nossa condição. ”Depende de para onde você quer ir...” Para o desesperado o sofrimento não é de não ter saída, mas de não saber que saída tomar! Por isso a confusão é percebida em crises. O desespero não é o problema, mas uma reação à sensação de não se saber o que precisa, de estar sem norte. E nessa situação qualquer saída é e ao mesmo tempo não é solução. Ao drogar-se, o jovem pensa que precisa dela para sair de onde está...mas a droga não acrescentará nada...apenas desfocará mais ainda. Ao beber, o alcool apenas anestesiará a percepção, mas a saída ainda estará velada (escondida) e por isso ainda não resolverá o problema. Envolvendo-se em conflitos, agredindo, o confuso não fará nada além de buscar um novo foco...que não será o real e necessário. So poderei enfocar se souber o que procuro.

Como trabalho com Florais, em todo Buquet inicial envolvo uma Flor chamada Clematis objetivando que meu paciente tenha foco, coloque seus problemas em uma hierarquia, evitando o efeito gargalo.
Aquela sensação de "entalamento" onde as coisas parecem ser bem piores do que são de fato.


A perda do foco tem sua explicação psicodinâmica em um mecanismo de defesa, onde por ser compreendido como indigesta, nosso inconsciente nos leva, naquele momento, à evitação da "dor" real. Enfrentá-la doi muito, e por isso, somos desfocados. Surge como saída a fuga, a negação, a projeção, transferência e por aí vai. Por ser um mecanismo de defesa, deveria apenas nos protege na crise e ser abandonado após esta crise a fim de que pudéssemos elaborar o ocorrido. No entanto, em uma estrutura  neurotica, aquilo que nos defenderia acaba por nos sugar e nos viciamos nessa desfocalização como evitação do sofrimento...e ao não sofrermos pelo real, sofremos por tudo em que ele se projeta...e por não podermos mais enxergar o problema real, não conseguimos identificar a saída.

Alguns, sem o foco real, focam um ponto e por meio de um comportamento psicótico, fanatizam-se. Voltamos ao quadro de desespero, onde se antes não tinhamos um foco e como estrábicos olhávamos para um lado observando outro, agora nosso foco imaginado como real ( digo imaginado por que se fosse a real saída não precisaria ser doentia) torna-se único e nosso olhar, daltônico, não nos permite ver nada que não esteja da cor que pintamos.

Enfim, ter em mente o que de fato nos doi sempre será a forma de não sofremos mais do que o necessário. Evitar sofrer quase sempre será a melhor forma de sofrer mais. Isso cabe para qualquer circunstãncia de nossa vida. Pois ao nos percebermos tão complexos, descobrimos nossa simplicidade...e na simplicidade da vida nos percebemos focalizados ( focados) no que de fato queremos.  A saída de nossa confusão existencial está na simples pergunta do gato a Alice: ”...para onde você quer ir...” Faça esse exercício e se pergunte ” para onde você quer ir...” com suas atitudes, com sua tristeza, com sua loucura, com seu desespero. Pergunte ao seu sofrimento psíquico onde ele quer chegar ...e talvez você se assuste com a resposta que normalmente estará tão "clara" que nem acreditará!

Um bom fim de semana para todos, focado naquilo que de fato queremos e precisamos.
Cabe a você descobrir, o que você de fato quer!

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